Capoeira Angola

História da Capoeira Angola em BH

A capoeira em Minas Gerais data da década de 60 chegando aqui através de Toninho Cavaliere, que deu aulas na capital na ACM (Associação Cristã de Moços). Passaram pela sua escola Mestre Paulão (Joaíma) Mestre Macaco (Ginga), Mestre Boca, Mestre Negão Zumba, Mestre Dunga, Mestre Gaio, Mestre 90, Brucutu, Mestre Jacaré, Mestre Luis Mineiro e muitos outros. Mas foi Mestre Dunga e Mestre Negão que difundiram essa arte nas ruas (Praça Sete, Feira Hippie, Praça da Estação...) e favelas de Belo Horizonte (Vila do Marmiteiro, Lagoinha, Serra, Bairro São Paulo). Por esse motivo Mestre Dunga é considerado por muitos “o pai” da capoeira mineira na Grande BH, pois daí ela ela se espalhou para o interior do estado.

Minas são muitas , mas a capoeira nossa descende do norte do país já que em Minas a tradição negra de resistência de maior impacto cultural é o reinado de Nossa Senhora do Rosário com seu Candombes, Moçambiques, Congo, Marujada, Catopês, Bumba meu boi, Reinados e Cirandas. Estes aqui são seculares, mas a Umbanda o Candomblé e a Capoeira chegam em Minas apenas no século XX.

Era uma capoeira de rua bem marcada na década de 70 com uma certa malandragem (resquícios da capoeira angola, já quase extinta) com muitas pernadas e acrobacias da capoeira regional e agarramentos.
Apesar de certas descaracterizações e pressões socio-políticas essa capoeira sustentou, junto à dança afro, o discurso contra o racismo nas ruas e praças da capital junto ao Movimento Negro . Nesta cena política se uniram também movimento estudantil e movimento cultural Negros em Movimento, já que os principais espaços para a prática da capoeira na décadas de 60 a 90 eram D.A,`s, DCE`s e salas de sindicatos .

Na década de 80 a capoeira cresce e se espalha pelo país. Mestre Pastinha falece em 1981 e em 1982 apenas João Pequeno dava aulas de capoeira angola em Salvador. A partir de 1983 Mestre Moraes funda o GGCAP (Grupo de Capoeira Angola Pelourinho) em Salvador, retornando de 10 anos no Rio de Janeiro, e com Cobra Mansa, Mestre João Pequeno, Curió, João Grande e muitos outros velhos angoleiros inicia o movineto de resgate da capoeira angola no Brasil. Retomando o trabalho de preservação da “visão de mundo africana”, na forma e no conteúdo da prática da capoeira, mobilizando os capoeiristas e reciclando-os e tembém denunciando a descaracterização, o folclorismo, a espetacularização, a competição e a comercialização que vinham deformando os ideais libertários da nossa capoeira.

Belo Horizonte acompanhou este movimento com a criação do Grupo IÚNA de Capoeira Angola com Mestre Rogério (RJ). A partir desse trabalho o cenário cultural e capoeirístico de Belo Horizontedeu se alterou radicalmente. Com um intercâmbio viceral com Mestre Moraes e Cobra Mansa (Salvador – Belo Horizonte – Rio) tecíamos a história do resgate da capoeira angola que influenciou a prática da capoeira regional e de rua na cidade, no estado e no país com jogos, rodas, eventos cursos e palestras realizadas neste processo.

Em 1995 já haviam vários grupos de Capoeira Angola em Belo horizonte e interior de Minas:

> Grupo Iúna de Capoeira Angola (Mestre Primo)     
> Associação Cultural Eu Sou Angoleiro (Mestre João)
> Associação de apoeira Angola Dobrada (Mestre Rogério e Mestre Índio)
> Grupo de Capoeira Angola Meninos de Palmares (Mestre Léo)
> Grupo de Capoeira Angola de Minas (Contra Mestre Edson)
> Grupo de Capoeira Angola Camugerê (Contra Mestre Renê)
> Grupo de Capoeira Angola Herança de Pastinha (Contra Mestre Medonha)
> Fundação Internacional de Capoeira Angola (Mestre Jurandir - Coronel Fabriciano)
> Grupo Espírito de Angola (Treinel Edmar)
> Grupo de Capoeira Angola Lenço de Seda (Mestre Véio)
> Grupo IÊ de Capoeira Angola (Somaterapia)
> Grupo Uai de Capoeira Angola (Somaterapia)

A partir de 2000 o cenário nacional da capoeiragem amadurece e tem nitidamente um perfil mundial globalizado. Várias linhas se redefinem criando vários segmentos: Capoeira Tradicional, Angola, Regional, Contemporânea e de rua, cada uma com suas características, visões, ieologias e “regras”. Mas é nítido o crescimento da capoeira angola, com um crescimento regular, mais firme e objetivo, onde do norte ao sul do Brasil demarca fronteiras na área da educação, cultura e nos projetos sociais de inclusão de jovens e adolescentes. Esta mesma linha de trabalho influencia também a capoeira angola das Américas, Ásia e Europa.

Organizações e espaços intergrupais de peso garantem o contato e o diálogo com antigos mestres como o Forte de Santo Antônio, em Salvador, e a ABCA, Associação Brasileira de Capoeira Angola. Em 2009 a capoeira é tombada como patrimônio cultural brasileiro. Mestre João Pequeno, 92 anos, e Mestre João Grande, 82 anos, ambos em atividade, são nossos capoeiristas angoleiros mais velhos e portanto a viga mestra de toda a capoeiragem no mundo globalizado. Ambos receberam o título de doutores Honoris Causa.

Como representantes vivos dos ideais de Mestre Pastinha eles reafirmam a africanidade da capoeira, reivindicam o termo “Afro-brasielira” para a capoeira, aposentadoria e valorização dos antigos mestres e reconhecimento do seu notório saber deixando-nos o exemplo de resistência ancestral, no exercício de suas vidas e de todos os velhos camaradas desse caminho.

“IÊ VIVA MEU DEUS”.


 
   
 
 

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